segunda-feira, 30 de janeiro de 2012


O MEU GATO PINKY TEM LINFOMA

Criei este Blog para trocar informações com quem está também a passar pelo mesmo.
Para ajudar outro gatinho, e também receber ideias de quem possa ajudar o meu.

O meu gato fez 15 anos no dia de Reis. É muito meigo, mas sempre manteve a sua independência. Muito social, muito comilão, e muito pacato. Deixa fazer tudo, desde dar banho, a cortar as unhas.
Tem sido uma companhia muito forte numa casa sem crianças, e a casa sem ele fica vazia, aliás, não a consigo imaginar sem este meu amigo.
Neste momento, que criei o Blog, está deitado no sofá, encostado a mim, e dorme descansado. Ontem foi um dia muito complicado...

Vou fazer um diário do que tem sido a doença dele.
O Pinky sempre foi um gato relativamente saudavel, tirando a parte renal, mas à muito que estava controlada, apenas com a alimentação.

Como descobri então que ele tinha um linfoma?

2011

28 dez – Ele não comia quase nada, e como andava a emagrecer, além das analises, a veterinaria aconselhou fazer uma Eco.
Desconfiávamos até q tivesse engolido algo (eu lembrei-me de o ter apanhado a roer uns ossos de umas costeletas de borrego)
A pessoa que costuma ir à clinica fazer as Ecografias não podia ir, pelo que me ficaram de dizer onde poderia levar o Pinky.

29 dez – A Drª ligou-me pelas 10 h e disse-me que podia levá-lo às 16h a uma clinica em Alfragide.
A Drª foi muito insistente, pois não é fácil detectar algo que não devia estar ali, no meio de tantas manchas, que ainda por cima se movem.
Eu até já me doía os olhos de fixar o ecrã, naquela sala escura, procurando ver alguma coisa. Mas o que acabámos por ver foi uma massa, algo que não acompanhava os movimentos dos intestinos, e não era um osso...
O que eu mais temia acabava por se confirmar.
Li mais tarde que é muito raro um gato engolir algum objecto, pois, ao contrario dos cães, eles saboreiam o que ingerem.
Tentei controlar a minha tristeza, e fui para a sala de espera, enquanto a Drª redigia o relatório para a veterinária.
Estava lá um casal que tinha em casa 8 gatos. Um dos quais estava com eles, uma gatinha preta e branca, que, apesar de ceguinha, passeava pela sala de espera como se visse quase na perfeição. Fiquei maravilhada.
Quando me deram o relatório, dirigi-me à clinica para falar com a Drª Patricia. Tinhamos de arranjar um hospital que o operasse já no dia seguinte.
O do Restelo cobrava 700 € - é verdade! - apesar de já estar a pensar que não tinha outro remédio senão pagar, acabámos por marcar no da Ramada, que orçamentou entre os 300 e os 400€.
30 dez – lá estávamos, eu e o meu marido, pelas 10h, para deixar o nosso bichinho ao cirurgião. Dei-lhe a Eco, e algumas informações sobre ele, e lá fui para casa com o coração nas mãos. Queria esperar, mas disseram-me q só o podia ver pelas 15h.
Por volta das 12h – já estava eu a desesperar – o cirurgião ligou: a operação em sí tinha corrido bem, tirara cerca de 5cm do intestino, mas agora teriamos de esperar 1 semana pelos resultados.
Pelas 15h eu lá estava para o ver. Fiquei contente por vê-lo activo, a tentar saltar da 'gaiola', apesar de ter um 'colar' e um penso enorme na barriguinha.
Estava a soro, ligado numa patinha, mas comeu com enorme apetite o patê que lhe serviram.
31 de Dez fomos visita-lo ao horario do costume, e disseram-nos que em principio só teria alta na 2ª feira.
Íamos fazer a passagem do ano sem o nosso gatinho :(

2012
01 de Jan: Eu já tinha referido que ele sofria dos rins no hospital, mas tinham se esquecido de fazer as analises, e, quando me ligaram já quase de noite, os valores não estavam mto bem.

02 de Jan: Apesar dessas analises, que me deixaram preocupada, o Pinky teve alta, sem qualquer apoio a nivel renal.
Trazia antibiotico e Maxilase, para tomar de 12 em 12 horas; e apenas a recomendação para uma alimentação 'Gastro'
Fui buscá-lo assim que saí do trabalho, ansiosa de o ter em casa, connosco, pois já mal aguentava estar sem ele.
Foi a miar o caminho todo, pelo que já não passei na veterinária dele, que o queria ver. Era apenas uma grande vontade de ir ao caixote :)
O primeiro dia passou bem. Comeu sofregamente a ração seca Gastro, e depois aquela que eu tinha comprado no veterinario para Recuperação.
Mas no 2º dia já não comia nada, só bebia água, e não havia maneira de o obrigar.
Começou também a ficar constipado. A ideia do Hospital de lhe ter dado banho na hora da saída não tinha sido nada brilhante, até porque estava um frio de rachar.

Dia 3 começou a vomitar à noite, pelo que liguei para o Hospital a contar o estado dele. Aconselharam-me a ir lá com ele no dia seguinte, se continuasse assim.
Como continuou, fui com ele ao fim do dia. No entanto o RX ao torax não mostrou nada de grave.
Nada pelo menos relacionado com a cirurgia, apenas fezes q estavam a fazer de tampão. Mas como estava desidratado, disseram q era melhor ficar lá a levar soro, e para fazer novas análises aos rins.
Meu querido gatinho. Lá ficou ele novamente longe de mim.

5 Jan: Fui vê-lo assim q saí do trabalho. As analises não estavam nada famosas. É obvio que uma anestesia daquelas iria afectar a parte renal, de sí já fragilisada, por isso eu achava
que ele devia ter vindo para casa com outro apoio a nivel renal logo a seguir à cirurgia. Disse à médica que o acompanhava, que ter dado banho ao bichinho, pouco antes de ele ir para a rua, também não tinha sido brilhante. Apesar de o ter tapado com uma manta, estava muito frio, e ele constipara-se.
Teve de continuar lá. Reparei que a dose do soro estava o dobro da 1ª vez (30), tinha a outra patinha picada, e como fazia alergia ao penso, tinham-lhe vestido uma rede.
Tadinho do meu querido gato, parecia um caniche.
Mas o que mais me preocupou foi o desiquilibrio que agora evidenciava. Estava ainda mais constipado, e sp que espirrava caía literalmente para o lado.
Perguntei o que era aquilo, que ele não estava assim em casa. Disseram q podia ser ainda uma consequência da anestesia (?) ou então o mal já lhe tinha afectado o cérebro.
Nem dava para acreditar no estado em que ele estava.

Dia 6 foi o dia 'D'. Como eu estava numa consulta, foi o meu marido quem ligou para o Hospital ao meio dia para saber noticias do Pinky. Quando saí da consulta, já passava da 1h, estranhei ele ainda não me ter dito nada. Estranhei não, fiquei logo desconfiada q algo menos bom se passava.
Liguei-lhe e, estava certa, ele não me queria dar a noticia por telefone. Tinha chegado o resultado da biopsia ao hospital: o nosso gatinho tinha um linfoma, e pela analise aos ganglios já estava no sangue.
Cheguei ao carro, que tinha deixado no parque de Stª Maria, e, apesar de já estar à espera, de já ter sido de certa forma prevenida pelos veterinários, não consegui evitar que as lágrimas me corressem pela cara. Tadinho do meu querido gato.
Passei o dia a pensar nele, com o coração apertadinho, só a pensar ' e agora? O que vamos fazer?
Quando, ao fim do dia, saí do trabalho, fui directamente ao hospital para o ver.
O meu marido já lá estava, e tinha pedido à medica para esperar q eu chegasse para falar com os dois.
Esperámos junto à 'gaiola' do nosso gato.
Falámos sobre as hipoteses de tratamento, de adiar o inevitavel, pois o linfoma não tem cura.
Pelo que me disse ela, existe a forma injectavel, que teria de ficar internado e sacrificar mais uma veia, e já tem as 2 patinhas da frente sacrificadas; ou com comprimidos, menos agressiva e que se pode fazer em casa.
Eu perguntei-lhe se ele ia sofrer com o tratamento, se a quimioterapia tinha os mesmos efeitos secundários que nas pessoas. Ela disse-me que não, seria mais a nível de estômago, perca de apetite, vómitos, apatia.
Dei muitos beijinhos no meu gato, e prometi-lhe q no dia seguinte o levava para casa.
O desiquilibrio dele tb nos preocupava mto. E como eu tinha andado a pesquisar na net sobre isso,
pedi para fazer a analise do Felp e do Fiv.
Passámos então na veterinária que o acompanha, para saber a opinião dela sobre o tratamento.
As versões coincidiam sobre as variações do tratamento.

7 de Jan mal chegou o meio dia liguei para o hospital. Queria ir buscar o meu gato. Já não aguentava tanto tempo sem ele.
O resultado das analises tinham sido negativas.
Estamos então sem saber pq se desiquilibra tanto o bichinho.
Será q o mal dele já atacou o cérebro?
O Dr q me atendeu ao telefone disse q ele já tinha valores renais mais baixos, q aquele aumento tinha sido uma reacção à anestesia.
Também já apresentava fezes, estava a comer, mas os desiquilibrios continuavam
Estava a pensar dar-lhe alta no Domingo.
Eu disse-lhe que o queria ir buscar naquele dia, às 3horas. Que como era fds aproveitava p estar mais tempo com ele. O Dr acabou por concordar q era melhor ele estar em casa
e disse q lhe dava alta.
Fomos então buscá-lo e passámos o dia à volta dele, com muito mimo.
Domingo também acabámos por passar em casa, sp de volta dele. Costumamos ir jantar aos meus sogros, mas como não queríamos sair, acabaram eles por vir jantar à nossa casa,
assim como os meus cunhados e o nosso afilhado de 5 anos.
Foi só mimo à volta do Pinky, e até acabaram por dar uma ajuda a convencê-lo a comer.
A semana passou com ele mto constipado, com o nariz completamente entupido, com mta dificuldade em respirar e comer.
Para o ajudar a respirar melhor tenho feito vapores, e fecho-o na casa de banho comigo qdo tomo duche (e o meu é mesmo a ferver!). Ponho-lhe tb umas gotas de soro fisiológico só numa narina de cada vez (isto faz com q espirre, o q o alivia). Depois destes procedimentos, normalmente já come alguma coisinha.
Para q coma, tive de esquecer a comida q comprei no hospital – a ID – e passar às marcas do supermercado: Whiskas e Friskies.
Enfim, é verdade q são mais baratas, mas o pior é q lhe pode prejudicar a parte renal. Mas se não comer...
Uma coisa q tb ajuda é colocarem a comida um pouco – 10 seg – no microondas. O vapor q liberta aguça-lhes o apetite.
Mas não se espantem se nada disto funcionar. Ao contrário do cão, o gato saboreia a comida (por isso é q é raro engolir objectos como o cão) e sem olfacto o pobre bicho não tem mesmo apetite. Tenham paciência e insistam, com carinho e persistência por vezes conseguimos.
Todo este estado veio atrasar a quimioterapia. Mas decidimos, a veterinaria e eu, q Sabado tinha mesmo de começar.
A dose foi então: Cortisona + o Lasa, com a dose aumentada p/ 1 comp 2 x dia
Pouco saí de casa no fds para o controlar. Vomitou um pouco no Domingo à tarde, de resto não notei alterações.
O nariz tb cont entupido, apesar de ter terminado o antibiótico.

Dia 17 andava eu + contente por ele estar a começar a comer melhor, qdo, ao limpar o caixote, reparei q tinha fezes pretas.
Mto estranhas mesmo, tipo metade cast claro e metade preto.
Fiquei mto preocupada, e como já era tarde, mandei um mail à veterinária.
A Drª Patricia respondeu no dia seguinte a aconselhar q se continuasse assim teria de começar a tomar o Ulcermin. Tadinho do bicho, mais medicamentos pela goela abaixo.
Mas o q me acabou ainda por preocupar mais, foi a forma estranha como ele se comportou qdo cheguei à tarde a casa.
Andei a chamá-lo e não o encontrava nos locais habituais onde ele gosta de estar: a cadeira do dono na cozinha, a nossa cama, ou a almofada dele na varanda. Estava na nossa casa de banho. Quando me aproximei dele, reagiu de forma estranha, fugindo de mim.
Estava assustado. Como se fugisse de algo q o perseguia. Foi horrivel. Estava a comer, de repente saltava assustado, e fugia para de baixo da nossa cama. Eu ia buscá-lo para o sofá da sala, ele acalmava um pouco, parecia quase dormir, e, de repente, acordava assustado, e fugia novamente para de baixo da cama. Outras vezes fugia para de baixo da secretária, onde chegou até a fazer xixi.
Falei novamente com a veterinária, se seria aquele comportamento tb uma consequência dos medicamentos, mas ela achava q não. Foi ver os efeitos secundários nos animais, mas eram todos + a nivel intestinal e do estômago.
Disse-me para dar na mesma a cortisona, e esperar 2 horas para ver se ele melhorava.
Mas não melhorou. Meu querido, fazia-me tanta confusão a forma como ele estava assustado.
Acabei então por colocar uma mantinha debaixo da minha cama e deixei-o a dormir lá como queria.

19 de Jan: o Pinky passou a noite de um lado para o outro, mas ouvi-o ir ao caixote e a comer, o q me deixou mais tranquila.
Antes de me levantar, chamei-o e ele saiu de debaixo da cama, saltou para ao pé de mim, e ali ficou deitado, desta vez sem sobressaltos.
Tb consegui dar-lhe bem os comprimidos, o Lasa + a cortisona, e depois foi comer com apetite.
De qualquer forma vou almoçar a casa para o ver, e telefonar à Drª Patricia para lhe dizer como ele está e para combinar para ela o ver logo.
O Pinky portou-se bem. Lá foi, sem reclamar, ao veterinario.
A Drª observou-o. Não tinha febre, mas pesava menos – 5,50 apesar de eu pensar q estava + gordinho – com anemia, e um pouco desidratado.
Comprei + soro, e comida renal em saquetas. Não podemos cont a ignorar a parte dos rins.
Sabado vai reduzir a dose da cortisona para metade. Felizmente p/ o bichinho. Mas o Lasa vai continuar a ser 2 por dia.
A veterinaria insistiu q tem de tomar as vitaminas. Parece q aquilo já teve resultados remissivos em tumores q diminuiram de tamanho. É verdade q eu bem tento, mas o pobre animal baba-se todo. Acho q é pq os comprimidos se desfazem mto, e é esse pó q o incomoda.
Não sei se depois de tanta baba e cuspidela ficará lá alguma coisa...
Uma sugestão ao laboratorio da marca: por favor façam em xarope, uma coisa docinha de preferência. É que, lá está, os cães tomam bem  os comprimidos, mas os gatos como saboreiam...

30 Jan – A semana foi pacifica. Quem não soubesse não dizia que o nosso Pinky tem o que tem. Mas infelizmente tem , e o dia de ontem veio lembrar-nos que não devemos ter falsas expectativas.
Ainda bem que era Domingo, pois assim pudemos ficar com ele e orientá-lo. Passou o dia todo a tremer, rasteirinho, cheio de medo de tudo e de todos. Fez duas vezes xixi no sitio onde estava escondido. Tive de levá-lo  ao colo ao caixote e à comida, pois não saía dos seus esconderijos. Lugares escuros é o que procura, reage como se estivesse a ser perseguido, e está sempre em sobressalto.
Tadinho, metia dó. Não foi fácil dar-lhe os comprimidos, mas acabei por dar aqueles 3 de hoje, e ainda dei mais um da cortisona, pois a Dra diz que ajuda.
Hoje já parece melhor, menos assustado. Comecei com o tratamento para os rins, pois os valores das análises não estavam nada famosos:  Ureia: 99 e  Creatinina: 2.
O hemograma não estava muito mau, pelo que podemos continuar com o protocolo da quimo.
Fui tb buscar outro soro, mais adequado tb aos rins. A Dra ficou de tentar descobrir se estes sintomas que ele demonstra tem algum relacionamento com o linfoma, e se existe algum tranquilizante que o ajude.
Registo: Aconteceu dia 18 e dia 28.